O áudio do episódio está acima; se você der “play” ou clicar no botão “Listen now”, ele funciona mesmo desligando a tela do seu celular.
Nova pesquisa na revista Nature1 mostra que, ao contrário do que se pensava, serotonina não tem nenhuma relação comprovada com depressão!
Que interessante, não? A maioria dos antidepressivos, os chamados inibidores da recaptura da serotonina e alguns mais modernos, são baseados nessa teoria. Acredita-se que funcionam porque aumentam a serotonina no sistema nervoso.
Exemplos muito comuns desses antidepressivos são: fluoxetina, sertralina, citalopram, escitalopram, venlafaxina, desvenlafaxina e duloxetina, dentre outros.
A tese de que a causa da depressão é o desbalanço químico no cérebro, relacionado com a serotonina, foi abalada com essa pesquisa. (A indústria farmacêutica pode ficar chateada.)
Mas isso significa que quem está usando essas medicações deve parar com elas? Não. Até porque ainda irão discutir muito essa pesquisa.
E, principalmente, porque, como explico no episódio, parar de repente com essa e muitas outras medicações psiquiátricas pode causar sintomas sérios e graves chamados, no geral, de síndrome de abstinência. É como as síndromes que ocorrem nas pessoas que dependem de álcool e algumas drogas ilícitas: quando param de repente, podem ter sintomas sérios.
Para parar com essas medicações, é preciso conversar com o psiquiatra ou médico que prescreveu e fazer o que se chama de “desmame” gradual. Você pode dialogar com seus médicos sobre isso, mas nunca parar de repente ou por conta própria.
Agora, veja como alguns jornais e revistas reagiram a essa notícia:
Ninguém está demonizando nada, se está discutindo a ciência atual com pessoas adultas. Se algo está sendo demonizado é a capacidade de as pessoas se informarem, entenderem uma discussão e fazerem suas próprias escolhas. Talvez a habilidade humana mais demonizada hoje em dia.
Mas, aí, você lê no mesmo jornal, que medicações não são isentas de suspeita de efeitos colaterais:
Um outro exemplo, de revista norte-americana amiga da indústria, dizendo que a pesquisa não é sobre os antidepressivos:
Sabe o que a autora diz? Que, se os antidepressivos não melhoram a depressão por aumentar a serotonina, então deve ser por outro mecanismo. (Bom, pergunto por que uma lógica dessa não vale também para ivermectina, zinco, vitamina D etc. “naquela” doença, que têm muito mais evidências. Quando é para proteger os dogmas farmacêuticos, vale até argumento fraco assim.)
Ela também diz que já se sabia que depressão não tinha relação com serotonina, não é novidade. Então, por que esses veículos de comunicação não ajudaram a informar o público disso todo esse tempo?
Outra pesquisa interessante e mais antiga sobre o funcionamento ou não desses antidepressivos e a comparação com efeito placebo, que menciono no episódio (ouça), é esta aqui:
E a excelente defesa que o autor faz dos ataques que recebeu é esta:
Challenging Received Wisdom: Antidepressants and the Placebo Effect
Por fim, a pesquisa com os ratinhos viciados e nem tanto em heroína. Essa pesquisa ficou conhecida como Rat Park, parque dos ratos:
Espero que você ouça mesmo o episódio2 e ele o ajude a refletir sobre como somos condicionados a pensar que tudo se resolve só com remédios.







